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Só se aprende numa escola bem cuidada

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A escola √© um espa√ßo, mas as paredes das salas, a quadra de esportes e os corredores s√£o apenas o suporte para a aprendizagem de cada aluno e tamb√©m para o trabalho de professores, funcion√°rios, coordenadores e diretor. As dimens√Ķes dela se alteram conforme o papel de diretor-arquiteto desempenhado por aqueles que a gerem pedagogicamente.

Primeiro agente socializador da crian√ßa depois da fam√≠lia, a escola √© o meio que a sociedade criou para dizer a ela "aqui temos um lugar para receber voc√™!". A pessoa que a espera na porta deve estar pronta a lhe dar as boas-vindas. O port√£o e o muro bem pintados, os impec√°veis corredores que levam do p√°tio at√© a sala, as paredes que exibem os trabalhos feitos em classe: tudo √© a prova de que houve uma prepara√ß√£o para bem receb√™-la. "Eu sou importante", ela pensa. E a seguran√ßa sobre essa sua import√Ęncia √© levada para a vida, e n√£o apenas durante os anos de estudos.

Portanto, limpeza, ordem, boa sinaliza√ß√£o, manuten√ß√£o regular e cuidado com cada ambiente s√£o agentes formais do espa√ßo escolar que v√£o muito al√©m da burocracia. Organizar um refeit√≥rio acolhedor e que permita a todos ganhar autonomia ao se servir e compartilhar a refei√ß√£o com prazer, por exemplo, √© um meio de demonstrar esse cuidado. A√ß√Ķes como essa fazem parte do processo pedag√≥gico, pois ningu√©m aprende onde n√£o h√° um clima de respeito e de seguran√ßa.

O desenho de maquetes educacionais como essa e a definição do uso que terão vêm de um bom escritório de arquitetura com sede nas ideias do gestor, assim como nas de toda a equipe e dos pais.

O papel desse diretor-arquiteto √© tamb√©m permitir que se estabele√ßam dois conceitos espaciais relacionados √† escola: o primeiro √© que ela √© um local do aluno - e da sociedade. Lembro-me de uma pesquisa feita por estudantes da 5¬™ s√©rie com pessoas que levavam os cachorros para passear. A garotada constatou que o ponto escolhido para que os animais fizessem suas necessidades era a cal√ßada e os muros da escola p√ļblica do bairro. Por qu√™? "Porque era um local p√ļblico", respondiam. Para elas, o que √© p√ļblico n√£o √© de ningu√©m. Por isso, √© necess√°rio criar a consci√™ncia de que a escola √© p√ļblica porque √© de todos!

Sendo assim, as grades, por exemplo, nem sempre s√£o uma prote√ß√£o, pois a popula√ß√£o do entorno pode pensar: "Esta grade √© para proteger a escola de quem, sen√£o de n√≥s que moramos aqui?" A melhor forma para fazer a comunidade se apropriar dela como um bem p√ļblico √© abrir suas portas. Escolas que t√™m familiares de alunos e moradores do entorno envolvidos s√£o mais limpas, menos depredadas, mais alegres.

O segundo conceito é que o espaço escolar decresce com o tempo. No início de nossa vida, a escola nos parece imensa, quase fantasmagórica. Os corredores não têm fim. Os professores são enormes. O corpo, a voz, as manias e a sabedoria deles não têm tamanho! No entanto, quando voltamos lá, décadas depois, vemos que ela não era tão grande e sentimos certa decepção. Corredores estreitos, salas apertadas. Parece que até os professores encolheram!

Mudamos n√≥s ou mudou ela? √Č fun√ß√£o da escola fazer com que o tamanho dela pare√ßa menor quando se alargam os horizontes do aluno em rela√ß√£o ao conhecimento das Ci√™ncias, da literatura, da Hist√≥ria, da Geografia. Quando faz isso, ela leva o jovem a ter coragem de participar e de caminhar com suas pernas pelo amplo mundo que o cerca! Quanto mais cumpre sua miss√£o de ampliar os espa√ßos de participa√ß√£o, mais a escola se encolhe, pois o aluno cresce em capacidade de ver e criar horizontes espaciais mais ousados e pr√≥prios. Fernando Jos√© de Almeida √© fil√≥sofo, docente da Pontif√≠cia Universidade Cat√≥lica de S√£o Paulo (PUC-SP) e vice-presidente da TV Cultura - Funda√ß√£o Padre Anchieta.

Última atualização - 15/10/2016 - 13:10

Publicado por:SEMED-JAPERI