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A escola da família

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Está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): as escolas têm a obrigação de se articular com as famílias e os pais têm direito a ter ciência do processo pedagógico, bem como de participar da definição das propostas educacionais. Porém nem sempre esse princípio é considerado quando se forma o vínculo entre diretores, professores e coordenadores pedagógicos e a família dos alunos.

O relacionamento chega a ser ambíguo. Muitos gestores e docentes, embora no discurso reclamem da falta de participação dos pais na vida escolar dos filhos - com alguns até atribuindo a isso o baixo desempenho deles - não se mostram nada confortáveis quando algum membro da comunidade mais crítico cobra qualidade no ensino ou questiona alguma rotina da escola. Alguns diretores percebem essa atitude inclusive como uma intromissão e uma tentativa de comprometer a autoridade deles. Já a maioria dos pais, por sua vez, não participa mesmo. Alguns por não conhecer seus direitos. Outros porque não sabem como. E ainda há os que até tentaram, mas se isolaram, pois nas poucas experiências de aproximação não foram bem acolhidos e se retraíram.

No Brasil, o acesso em larga escala ao ensino se intensificou nos anos 1990, com a inclus√£o de mais de 90% das crian√ßas em idade escolar no sistema. Para as fam√≠lias antes segregadas do direito √† Educa√ß√£o, o fato de haver vagas, merenda e uniforme representou uma enorme conquista. "Muitos pais veem a escola como um benef√≠cio e n√£o um direito e confundem qualidade com a possibilidade de uso da infraestrutura e dos equipamentos p√ļblicos. Isso de nada adianta se a crian√ßa n√£o aprender", afirma Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora geral do
Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), em São Paulo.

A escola foi criada para servir à sociedade. Por isso, ela tem a obrigação de prestar contas do seu trabalho, explicar o que faz e como conduz a aprendizagem das crianças e criar mecanismos para que a família acompanhe a vida escolar dos filhos. "Os educadores precisam deixar de lado o medo de perder a autoridade e aprender a trabalhar de forma colaborativa", afirma Heloisa Szymanski, do Departamento de Psicologia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Um estudo realizado pelo Conv√™nio Andr√©s Bello - acordo internacional que re√ļne 12 pa√≠ses das Am√©ricas - chamado
A Eficácia Escolar Ibero-Americana, de 2006, estimou que o "efeito família" é responsável por 70% do sucesso escolar. "O envolvimento dos adultos com a Educação dá às crianças um suporte emocional e afetivo que se reflete no desempenho", afirma Maria Amália de Almeida, do Observatório Sociológico Família-Escola, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mas o que significa uma parceria saud√°vel entre essas duas institui√ß√Ķes? Os pais devem ajudar no ensino dos conte√ļdos e os professores no dos bons modos? Claro que n√£o. A colabora√ß√£o que se espera √© de outra ordem. "O papel do pai e da m√£e √© estimular o comportamento de estudante nos filhos, mostrando interesse pelo que eles aprendem e incentivando a pesquisa e a leitura", diz Ant√īnio Carlos Gomes da Costa, pedagogo mineiro e um dos redatores do ECA. Para isso, √© preciso orientar os pais e subsidi√°-los com informa√ß√Ķes sobre o processo de ensino e de aprendizagem, coloc√°-los a par dos objetivos da escola e dos projetos desenvolvidos e criar momentos em que essa colabora√ß√£o possa se efetivar.

Quando o assunto √© aprendizagem, o papel de cada um est√° bem claro - da escola, ensinar, e dos pais, acompanhar e fazer sugest√Ķes. Por√©m, se o tema √© comportamento, as a√ß√Ķes exigem cumplicidade redobrada. Ao perceber que existem problemas pessoais que se refletem em atitudes que atrapalham o desempenho em sala de aula, os pais devem ser chamados e ouvidos, e as solu√ß√Ķes, constru√≠das em conjunto, sem julgamento ou atribui√ß√£o de culpa. "Um bom come√ßo √© ter um di√°logo baseado no respeito e na cren√ßa de que √© poss√≠vel resolver a quest√£o", acredita M√°rcia Gallo, diretora da EME Professora Alcina Dantas Feij√£o, em S√£o Paulo, e autora do livro
A Parceria Presente: A Relação Família-Escola numa Escola de Periferia de São Paulo.

Visando ajudar voc√™ a dar os passos necess√°rios para cumprir o dever legal e social de ter um relacionamento de qualidade com as fam√≠lias, NOVA ESCOLA GEST√ÉO ESCOLAR elaborou uma lista com 13 a√ß√Ķes, que v√£o desde o acolhimento no come√ßo do ano letivo at√© as atividades de integra√ß√£o social.

Última atualização - 15/10/2016 - 13:10

Publicado por:Gustavo Heidrich